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Alcoólicos Anônimos - Área SP

A Irmandade e a sua Mensagem

Alcoólicos Anônimos não é a única saída para quem quer parar de beber, mas fazemos questão de mostrar a nossa mensagem e como conseguimos nos recuperar.

A Literatura de A.A.

Literatura de A.A.O programa de recuperação baseia-se na troca de experiências em Grupo. E a Literatura de A.A. relata esse caminho encontrado pelos pioneiros.

A impressão da primeira edição em português ocorreu em outubro de 1966 com a tradução dos onze primeiros capítulos do Livro Alcoholics Anonymous  trazendo a fundamentação do programa.

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Meu cachorro Nóia
capa107_lo.jpg'Ele se deitava do meu lado e ficava ali por horas..."

Quando eu estive internado numa Clínica, assisti ao Filme "28 Dias", e atentei para o detalhe que nos dois primeiros anos não deveria me envolver com relacionamentos, não viver novas emoções, até que eu estivesse em condições de equilíbrio emocional.

Bem, o que se propunha no filme era que se cuidasse de uma planta ou então de um animal.

Depois disso vi a mesma sugestão sobre relacionamentos no livro "Viver Sóbrio".Isso ficou gravado no meu inconsciente.

No dia que deixei a Clínica fui acometido de um pavor, não sabia como iria enfrentar a vida lá fora novamente; se conseguiria cumprir a minha meta que era a de me manter sóbrio.

Saí da Clínica acompanhado do meu cunhado, que foi o responsável pela internação, a quem eu devo muito e chorei, chorei de medo, de pavor, não suportaria voltar ao inferno que há poucos dias atrás me encontrava.

Meus relacionamentos com amigos, familiares e com vizinhos estavam destruídos, eu estava só, desempregado, tinha ainda meu irmão ao meu lado, com quem eu morava, mas ele não acreditava muito na minha recuperação.

Chegando em casa, a primeira coisa que fiz foi procurar um Grupo de A.A.; fui até uma igreja próxima de casa, mas naquele dia não haveria reunião.

Voltei pra casa frustrado e deparei, em frente ao portão, com um cachorro, um Fox Paulistinha, parado ali, em frente ao portão. Eu e meu irmão, que tinha me acompanhado até à igreja, o afugentamos.

Entrei em casa e fiquei algumas horas no meu quarto; acessei a Internet e achei no site de Alcoólicos Anônimos, o Grupo AABR; fiz o meu ingresso naquele Grupo no mesmo instante e saí para dar uma volta. Quem encontro novamente? O mesmo cachorro, em frente ao portão!

Dessa vez não tive dúvidas. Dei um chute nele e coloquei-o para correr. Corri atrás dele, afugentando-o até a esquina, na certeza de que ele não voltaria.

Naquele dia não voltou mesmo. No dia seguinte saí bem cedo de casa e lá estava ele, parado novamente em frente ao portão. Ao me ver, começou a abanar o rabo, com a língua de fora. E mais uma vez o espantei.

Ao retornar para casa, meu sobrinho me alertou para o fato. Será que esse cachorro não foi mandado por Deus? Não é possível que um animal que já foi chutado, espantado, posto pra correr, retome com tanta insistência.

Naquele momento eu me dei conta! Meu Deus, cadê o cachorro?

Corri para a rua na esperança de encontrá-lo novamente, e lá estava ele parado na frente do portão, como se estive me esperando para pegá-lo.

Por brincadeira, coloquei o nome dele de Schuazeneger, mas ele não atendia, até que, desistindo, comentei: - esse cachorro é um Nóia! Assim que eu falei "Nóia", ele se levantou e veio até mim abanando o rabo.

E foi assim que ele ganhou o seu nome: Nóia. Passamos a ser bons amigos; éramos inseparáveis; quando eu saía de casa ele já estava pronto, esperando que eu o levasse junto. Andávamos pelas ruas do bairro e ele, com seu jeito simpático e brincalhão, foi cativando as pessoas de forma que, quando alguém me via sem ele, logo perguntava: - cadê o Nóia?

Quando eu não podia levá-lo comigo, como por exemplo ao Grupo de A.A., ele se punha a uivar e só parava quando eu voltava.

À noite, quando eu sentava em frente ao computador, para conversar e ler os e­mails do Grupo AABR, ele se deitava do meu lado e ficava ali por horas até que eu terminasse de responder alguns e-mails, encerrasse a conversa na sala de bate-papo e fosse dormir.

O Nóia concentrou toda a minha atenção naqueles primeiros dias de recuperação e foi o grande amigo que tive num momento difícil de minha vida.

Acabei conhecendo muitos companheiros de A.A. no Grupo Vila Gustavo, o qual freqüentava, e no grupo AABR, pela internet, e já não me sentia mais solitário.

Quando eu iria completar três meses de recuperação, numa noite, o Nóia me pareceu estranho.

Eu estava no computador e ele ia até a porta e depois voltava até mim. Entendi que ele estava querendo sair. Meu irmão disse: - deixa ele dar uma volta, você sempre deixa!

Eu respondi que não; que se ele saísse, não mais voltaria. Mas com a insistência do meu irmão, eu acabei cedendo e deixei-o sair.

Foi a última vez que o vi. Não voltou mais.

Hoje, com quase três anos em recuperação, depois de muitas coisas novas que passaram a acontecer na minha vida, quando ando pelo bairro, ainda me perguntam na rua: - cadê o Nóia?

Eu digo: - fugiu!

E alguns respondem: - não fugiu, não, Alfredo, ele foi ajudar outra pessoa a entrar em recuperação.

Você já conseguiu!

AL
Vivência N°.96 Jul/Agosto 2005


Os artigos não pretendem ser comunicados oficiais de Alcoólicos Anônimos enquanto irmandade, e a publicação de qualquer artigo não implica que Alcoólicos Anônimos e a revista "Vivência" estejam de acordo com as opiniões expressas

 

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